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Palavras minhas


A noite tão bela, como pode uma noite, em seu silêncio e céu escurecido, iluminado pelas estrelas, se tornar uma noite assustadora. Não, a noite não é assustadora, a noite é igual para todos. Se alguém ou algo pudesse olhar a noite sem os olhos da mente, a noite seria sempre linda e esplêndida, mesmo nos tempos frios, durante as chuvas torrenciais, ou mesmo a simples noite de verão que aquece os corpos. O problema está nos olhos. Sim, são os olhos a maldição do ser humano. Através deles é que percebemos as noites distorcidas de sua beleza. Os olhos não nos dão a visão da beleza natural, da vida e dos milhares de objetos que nos permeiam, os olhos são como um espelho da mente, a mente distorce, a mente confunde, a mente transforma. Já percebera que as pessoas não enxergam igualmente, problemas de vista não fazem parte desse aspecto, são os problemas da mente, a mente que persiste em se colocar à frente dos olhos, a mente cruel. Se as vozes da mente pudessem calar-se por instantes, que instantes maravilhosos seriam esses. Não se trata de alienação, digamos que a mente deveria operar à ordenação de nossas vontades, mas pobres são aqueles que assim o acreditam. Alienação; alienado é aquele que deixa-se levar pela mente sem questionar. Questionar a mente é intrigante e perturbador, pois não têm-se o controle da mente, os pensamentos afloram como luzes que surgem do nada, e não temos a capacidade de apagá-las com um sopro, elas permanecem lá, acesas, até que a própria mente resolva extinguí-las, ou não. Permanecem por segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos a fio, luzes que distorcem a visão, e por razão esta, os olhos estão atrelados à mente por uma razão doentia de não saber o que vêem.

A noite, o que a noite traz então de tão sombria? A noite que nos leva ao leito, e é ao leito que estamos a sós com a mente. Veja que durante o dia, as pessoas comuns procuram atarefar-se de seus afazeres, quaisquer que sejam. Não importa, o dia fortalece a mente, as pessoas, os trabalhos, as tarefas diárias escondem a manifestação das vozes que refugiam-se na mente. Os diálogos entre as pessoas parecem transformar a mente em algo quase que neutro. Mas não, a mente está lá, agindo de maneira fria, calculada, registrando momentos, fatos e sentimentos que se transformam em luzes posteriormente. Que pensamentos estranhos surgem quando estamos sozinhos com a mente. São espectros de todas as relações que mantemos com o mundo ao redor, com as pessoas, com a vida. A vida, pois é, a vida não é mais do que a mente, a mente domina não somente os olhos, mas através de sua independência consegue adentrar aquilo que chamamos de vida. Vida não é nada mais que a mente, são as vozes da mente que dão características à vida. Sem perceber somos guiados pela mente a uma determinada personalidade, cheia de manias, vícios, perturbações. Alegrias também. A mente é capaz de gerar alegrias, mas creio não haver homem algum no mundo que não tenha sentido uma vez sequer a inquietação da mente. Pois dos olhos partimos para a vida, e é vida aquilo que chamamos desde o momento em que aparecemos no mundo. Deste não sei se saímos com as perturbações da mente, mas a morte com certeza é uma das luzes que a mente lança em nossos pensamentos.

Não, então não são os olhos a maldição do homem, mas a mente. Os olhos são instrumentos pela qual a mente atua. É; os olhos funcionam como um dos canais que leva à mente imagens e que no mesmo instante ela é capaz de devolvê-las distorcidas de sua real aparência. Do mesmo modo que os olhos, todos nossos sentidos são alterados pela mente. Mente maldita. Dita regras à nossa visão, transforma nossos sentidos em instrumentos de ação incontroláveis ao corpo. A mente misteriosa, porque ninguém a compreende. Estudos sobre a mente, que besteira, uma mente impregna à outra, só isso, os estudos são processados pela própria mente. É, este é o paradoxo da mente.

Paradoxo da mente, engraçado, ao mesmo tempo em que escrevo essas palavras vejo a mente agindo, cuspindo-as com raiva, agressão, perturbação. Perturbar é o que a mente faz. Quem não se sente perturbado? Boa pergunta, não conheço pessoas que me dizem se sentirem perturbadas ou não. Não conheço ninguém, nem a mim. Não conheço minha mente, a mente é impenetrável, inexplicavelmente perturbadora. Tantas coisas mudam no mundo, mas a mente, cinicamente parece que sua característica perturbadora perece. Se nos dias de hoje a mente é mais poderosa que anos e anos atrás pouco posso dizer, mas certamente não necessariamente seu poder de atuação regrediu, ou se acentuou. Como saber, ora, não há como saber, se é a mente controladora e obcecada que dita as regras do jogo. Sim, o jogo da vida, onde jogamos sempre, sem saber o porquê, sem saber a razão, sem a certeza de uma resolução. E assim vivemos, na inocência da aceitação de que controlamos atos, acontecimentos, acasos que sejam, tudo parece estar sob controle. Sim, o controle da religião, da crença de que há e haverá sempre alguém ou algo olhando por nós. Não questiono o que não entendo, muito menos afirmo perante o público a crença em algo que não conheço, ou que não acredito. Por sinal, acreditar, em que? Qualquer coisa, podemos acreditar em tudo, nada, algo, mas, a mente; é, não nos esqueçamos da mente. Acreditar ou não em algo não é ter-se certeza de sua existência, nem muito menos de crer, é questão simples e natural da mente. Criamos, acreditamos, vivemos por algo criado pela mente. Imagens, emoções, desesperos, sentimentos, perturbações, tudo, tudo sempre filtrado pela mente, não importa a visão, não importam os sentidos, importa a mente e sua atuação.

Não se deixe enganar, porém, por essas palavras fúteis que aqui as deixo, são palavras da mente inquieta, são vozes que ecoam no vazio e escuro da própria mente. Feliz é aquele que não percebe sua própria mente. Não sejamos infelizes, não, a mente é um belo instrumento, é criativo, como também destrutivo. Milhões de pensamentos criados em um só dia por uma só mente. Sim, pensamentos que nos consomem ou nos alimentam. Energia, aquela que vem da mente e que foge através de nossas ações, presente em nossas vidas, sempre, gerando vida, gerando morte. Será que a mente leva à morte? Não sei, só sei que a mente controla a vida, mas não a gera, porém há uma vaga impressão de que a mente pode levar ao fim da vida. Nada mais fácil de raciocinar, se a mente controla a vida, quando a vida acaba, acaba porque a mente deixou a vida. Não sei, não estou certa, aliás, não há certezas. Nunca existirão certezas pelo caminho da vida guiada pela mente manipuladora.

T.B.

 



Escrito por T.B às 23h30
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VONTADE

 

A vida que vai, a vida que foi,

O sonho se mais, não saber onde estou.

Caminhos distintos, ideais,

Se ando para frente, corro para trás.

 

Idas e vindas, a caminho do nada;

Liberdade e verdade,

Processos infinitos, sou eu a vontade.

 

Que bem de bem estar, amar;

A vida a terra, o céu e o mar.

Por onde ando, não sei apontar;

Mas pergunte o que posso,

Se não posso eu me vou.

 

O cansaço de ser,

A dor de não ter,

O sofrimento em não saber.

 

Que faço? Sigo em frente,

Sempre, para que o sempre acabe,

Para a paz de entender, sem ao menos querer,

Que a vida continue, que nada se acabe,

Que seja feita a minha, a sua, a nossa vontade.

 

T.B.

 



Escrito por T.B às 23h04
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"Um dia, ele acordou, estava tudo diferente... um cheiro de flores, uma brisa suave. Não quis abrir os olhos de imediato, pois os sentidos ainda que no escuro dos olhos, pareciam tão vívidos quanto uma vida. E foi então que lentamente seus olhinhos lutaram contra a luz forte da manhã ilumidada, e ele soube que o cheiro e a brisa não eram sonho, foram trazidos pelo ser que ali parado sorria, o sorriso mais lindo do mundo, com os olhos mais lindos do mundo, ele acordou de um sonho, e o sonho não era mais um sonho".
22/11/07

Escrito por T.B às 23h00
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Une seule que soit

 

Il n’y a pas d’explication

Ça je suis sûre

Je n’espere rien

Je n’espere plus que vivre

Je n’espere plus qu ‘attendre

 

Je n’attends rien

Je n’attends plus que vivre

Car il n’y avait pas d’explication

Ça je n’étais pas sûre.

Je croisais qu’il y aurait une, peut-être.

 

Peut-être c’est presque rien

Rien à faire que vivre

Sans explication comme même

Car, il y a des choses dans la vie

Qui sont elles mêmes

Pas tellement, mais probablement

Vide d’aucune explication

 

Ce jour là

Quelques jours d’avant

Quelques jours d’après

Tous que n’importe plus,

Ils sont tout les jours,

Qui s’effacent peu à peu.

 

Jusqu’à ce soir,

Ou peut-être,

Ça ne viendra pas de s’effacer,

Jamais, pas completement, porquoi ?

 

Car, il n’y avait, il n’y a et

Il n’y aura pas, une, une seule que soit

d’explication.

 

T.B

 

22/08/2007

Escrito por T.B às 22h57
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Last Minute

 

A life in a minute

All people that you care

Crossing your head

 

One minute, not long enough

Not long to enjoy,

Too short to love.

 

One minute, in a life

Too long to take

Knowing that this one minute

Is the last in your lifetime.

 

 

T.B.

 

17/06/2007

Escrito por T.B às 22h56
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Foi-se!
Deixou-me com um uma rosa, mas seu espinho me machucou, mas não foi nada, foi dor da dor. Uma noite de pensamentos, dormirei com a flor, mesmo que acorde em retalhos, os sonhos terão sido regados de cor.


Escrito por T.B às 22h55
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If you wanted, I would

When you said nothing

I thought I could,

My body was broken so was my mind

The body seems to heal

The mind can still shine

 

You stole nor my soul,

Neither my pride.

What was taken indeed,

Has been the unknown sentiment

That has never been mine.

Escrito por T.B às 22h55
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Volúpia

 

Mais uma vez ela se olha,

Olha e nada vê;

Nada vê sem saber o porquê.

Nada indaga, nada o faz por próprio querer.

 

Ah! Se pudesse a si observar,

quando passa, quando está, mesmo calada,

tem a vida em seu olhar.

 

Nos olhos, sua visão se cala.

Dos olhos, a luz exala,

no transfigurar do batimento insano,

seus sentidos embriagam-se quando no mundano.

 

Foge de lá, foge para cá,

diga aqui, agora, permita-se derramar.

Deita-se ao prazer assaz insólito,

este que vibra em seu olhar.

 

Entrega-se assim, venha a mim;

fecha os olhos, a escuridão não há de assustar.

Será bela e vívida quando a ela iludir,

essa luz que abriga tão ardente em si.

 

Abra os olhos, veja o mundo não são.

Não creia em nada, tampouco em mim.

Sou somente você,

querendo você em mim.

 

25/09/2006.

Escrito por T.B às 22h54
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Desaprendendo a amar

 

 

Que vida é esta,

Que me levas a ti,

Se não me queres me deixe

E não me roube de mim.

 

Se amar fosse difícil

Que bom seria,

Não mais então um vício

Querer-te noite e dia.

 

Deixe-me em paz

Que a vida é minha

Fico para trás

Mas nunca estarei sozinha.

 

Pois tolos daqueles

Que pensam saber aonde vão,

Se sabem é engano,

Se acertam, pura sorte talvez, sim ou não.

 

Caminho entre o nada,

Contemplando o luar,

Vivo esta vida

Desaprendendo a amar

 

 

T.B.

 

17/09/2005



Escrito por T.B às 22h53
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